Asas nos Pterossauros.

Postado por Jorge no dia 30/05/2011.

Os Pterossauros (do grego pteron = asa + sauros = lagarto) foram répteis encontrados do Triássico Médio (há 225 milhões de anos) ao final do Cretáceo (65 milhões de anos atrás).

Descenderam possivelmente de pequenos arcossauros semelhantes a lagartos que, em algum estágio, passaram a planar graças ao patágio - membrana sustentada pelos membros. O patágio teria surgido para facilitar a movimentação entre as árvores em busca de insetos, ou para fugir de predadores. A evolução dos pterossauros é um mistério, já que os mais antigos fósseis se encontram com todas as características da ordem.

Como o nome indica, foram répteis com asas - sem penas - feitas de pele retesada e reforçada por fibras e músculos. Os três primeiros dedos eram pequenos, ao passo que o quarto dedo - composto por quatro falanges - era muito longo. A pele estava ligada a esse dedo, bem como ao corpo e aos membros posteriores. O quinto dedo desapareceu. Ao contrário do que ocorre com os morcegos, a asa não se dividia em seções separadas por nervuras. Assim, qualquer lesão sofrida numa área - ou em algum dedo - poderia comprometer o vôo e levar o animal à morte.

Os ossos dos membros anteriores eram finos - "em alguns grandes pterossauros do Cretáceo, como Pteranodon (...), freqüentemente com a espessura de um cartão-postal" (WELLNHOFER, 1991, p.53). A extremidade superior do úmero estava próxima à cintura escapular onde estavam fixados os músculos do vôo.

Uma característica dos pterossauros é a presença do osso pteróide - fino, articulado com o carpo e voltado para o animal. Estava possivelmente ligado por um tendão a um músculo na área dos ombros. Sua função aparente era sustentar uma membrana menor triangular entre a base do pescoço e o braço, chamada de propatágio. Além disso, auxiliava em certas manobras durante o vôo.

Ainda há discussões acerca da capacidade de voar dos pterossauros, mas "em geral os cientistas concordam que (...) eram perfeitamente adaptados para o vôo e que provavelmente exploravam uma variedade de nichos ecológicos tão grande como as aves modernas" (MONASTERY, 2001, p. 130). De acordo com Wellnhofer (1991, p. 153), as grandes áreas de fixação dos músculos peitorais permitem assumir que os pterossauros voavam com desenvoltura, ainda que os grandes espécimes do Cretáceo também se utilizassem do recurso de planar.

No começo de 2004, um ovo com cerca de 5 centímetros foi encontrado na Província de Liaoning (China). Estava tão bem preservado que, quando dissecado, revelou o fóssil de um filhote de pterossauro cuja envergadura chegaria a 27 centímetros. Os ossos das asas já estavam solidificados, o que sugere que o filhote estaria apto a voar assim que saísse do ovo. Para Dixon (2006, p. 153), isso pode significar que pelo menos algumas espécies de pterossauros dessem pouca atenção a suas crias, e que muito da energia dos espécimes mais jovens era gasta na busca por alimentos.

Mas, como os pterossauros caminhavam em terra firme?

Duas teorias foram levantadas a esse respeito. A primeira assumia uma postura bípede ereta, similar à das aves e dos dinossauros. No entanto, as asas deveriam estar muito próximas ao corpo para que esse deslocamento ocorresse.

A segunda teoria, aceita pela maioria dos paleontólogos, era de que o animal usasse os quatro membros para sustentar o corpo.

A capacidade de voar, bem como alguns fósseis encontrados com vestígios de pêlos indicam que os pterossauros eram répteis homeotermos.

Contribuição:

Felipe Van Enck Meira.

Willian Menq.

Fonte:

Bichos, Os. São Paulo: Abril, 1972.

DIXON, Dougal. The Illustrated Encyclopedia of Dinosaurs. London: Lorenz Books, 2006.

MONASTERY, Richard. Pterossauros, pioneiros do céu do Brasil. National Geographic, São Paulo, maio 2001, p. 122-141.

RICHARDSON, Hazel. Dinosaurs and Prehistoric Life. London: Dorling Kindersley, 2003.

WELLNHOFER, Peter. The Illustrated Encyclopedia of Pterosaurs. London: Salamander Books, 1991.

Foto do arquivo:

Réplica de Rhamphorhynchus, gênero que viveu no Jurássico na Europa e Ásia. Sua envergadura variava entre 40 centímetros e 1,75 metros. Pertence à Universidade São Judas Tadeu (SP).


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