
Formação do Universo e Origem da Vida
No final do século XIX e início do século XX, através da análise das ondas luminosas, descobriu-se que as galáxias se distanciam da Terra (quanto maior a distância, mais o espectro se desvia para o vermelho). Assim, se o volume do Universo aumenta com o tempo, ele conseqüentemente foi menor no passado.
Em 1927, o padre e astrônomo belga Georges Lemaître (1894 - 1966) sugeriu que toda a matéria esteve originalmente condensada em um único átomo primordial. Então, há cerca de 15 bilhões de anos, teria ocorrido uma fantástica explosão, à temperatura de 10 bilhões de graus Celsius, que provocou a permanente expansão do Cosmo. George Gamow (1904 - 1968), físico norte-americano de origem russa, deu à explosão o nome de Big Bang.
No instante da explosão, os quarks, partículas atômicas, apresentavam-se em seis variedades (três com carga elétrica positiva e três com carga negativa). Quando a temperatura caiu, quatro das variedades desintegraram-se e as duas restantes transformaram-se em prótons e elétrons. Na verdade, no instante da explosão o Universo era tão quente e denso que a luz emitida pelos quarks se espalhou somente depois de 300 mil anos.
Nos primeiros instantes foram formados átomos de hidrogênio e, em seguida, de hélio e de lítio. Um bilhão de anos após a explosão, a distribuição desigual de partículas criou em alguns pontos a força gravitacional que possibilitou a concentração de átomos. Surgiram, dessa forma, as primeiras estrelas, compostas por hidrogênio e hélio. Nelas, novos átomos foram produzidos: carbono, oxigênio e nitrogênio.
A teoria do Big Bang como início do Universo é aceita pela maioria dos cientistas. Todavia, desde a década de 1990 alguns defendem que o Universo já existia anteriormente: ele teria entrado em colapso e diminuído até o instante de condensação máxima, quando a explosão teria ocorrido e a expansão teria se iniciado.
De qualquer forma, estrelas nascem e morrem. Nosso Sol teve origem há cerca de 5 bilhões de anos, numa nuvem produzida a partir de estrelas mais antigas e composta por gases e poeira com elementos pesados como ferro, ouro, oxigênio e silício. Ao seu redor, os planetas, asteróides e meteoróides foram formados.
A idade da Terra é estimada em 4,6 bilhões de anos. As partículas foram adensadas através da força gravitacional, com um aumento gradativo da massa do planeta. Os minerais mais densos - como ligas de ferro e níquel - formaram o núcleo central, enquanto os mais leves deram origem à camada externa - a crosta rochosa. O raio do planeta é de 6.378 quilômetros, dos quais cerca de 3.450 quilômetros correspondem ao centro.
A Terra era, a princípio, uma esfera incandescente, com temperaturas acima de 1.000ºC. Sua atmosfera, desprovida de oxigênio e gás carbônico, era composta por vapor de água, hidrogênio, metano, amônia, hélio e monóxido de carbono. As rochas, em processo de solidificação, sofriam intenso bombardeamento por meteoritos. Um deles, de grandes proporções, arrancou parte do material do planeta no choque. A Lua teria, então, se originado da combinação do material da Terra com o do meteorito.
Entre 3,8 e 2,5 bilhões de anos atrás, no Arqueano, nuvens carregadas compostas por água e pelos gases suspensos no ar envolveram o planeta e, com o resfriamento da superfície terrestre, provocaram chuvas torrenciais. Apesar disso, a água só podia acumular-se em grande quantidade. Depositada no fundo das depressões, formou os oceanos - salgados devido aos minerais dissolvidos da crosta.
Os seres vivos são formados por substâncias inorgânicas - água e sais minerais - e por substâncias orgânicas - moléculas complexas com átomos de carbono: carboidratos (açúcares), lipídios, proteínas, vitaminas e ácidos nucléicos. As moléculas podem ter se formado na Terra, por ação dos raios ultravioleta do Sol e das descargas atmosféricas, ou podem ter chegado ao planeta através dos meteoritos.
Os oceanos tornaram-se um "caldo" nutritivo. Há cerca de 4 bilhões de anos, os primeiros seres vivos - bactérias e outros seres procariontes sem núcleo celular - absorveram nutrientes desse caldo e produziram a energia necessária para viver. Eram anaeróbicos, uma vez que as formas iniciais de oxigênio presentes como radicais livres na atmosfera eram tóxicas na presença de luz. Apesar da estrutura simples, esses seres se reproduziam assexuadamente a uma velocidade espantosa. Eram invisíveis a olho nu.
As cianobactérias, ou algas azuis, utilizavam a luz solar para produzir alimentos e lançar oxigênio na atmosfera. Foram, possivelmente, os primeiros seres a realizar fotossíntese e, assim, enriquecer a atmosfera com a forma não tóxica de oxigênio. As evidências mais antigas de fotossíntese são de 2,7 bilhões de anos atrás. O oxigênio produzido subiu a grandes altitudes, formando a camada protetora de ozônio que filtra os raios mais intensos do Sol.
A presença de oxigênio não tóxico e a existência de uma camada protetora foram fundamentais na proliferação de organismos com respiração aeróbica.
Da mesma forma, a produção de energia química celular de modo mais eficiente possibilitou o surgimento de organismos multicelulares eucariontes - caracterizados por células com membrana, citosol e núcleo (este último dotado de uma membrana chamada carioteca, que separa os componentes nucleares dos existentes no citosol). Apresentam grande variedade genética, o que lhes garante sucesso na evolução. Talvez tenham se formado como colônias de organismos unicelulares ou através da divisão desigual das células. Fósseis encontrados nos EUA, com 2,1 bilhões de anos, são os mais antigos seres multicelulares conhecidos.
A vida, assim, ganhou intensidade e produziu incontáveis seres relacionados entre si e com o meio ambiente (estabelecimento de cadeias alimentícias complexas).
Contribuição:
1. Felipe Van Enck Meira.
2, Oswaldo Landgraf Júnior.
3. Museu de Zoologia da USP.
Foto: Gnaisse tonalítico encontrado na Bahia, com 3,403 bilhões de anos. O gnaisse é uma rocha metamórfica de composição variada, disposta em lâminas paralelas. Os minerais componentes são mais antigos do que a rocha propriamente dita. Na verdade, devido à dinâmica do planeta (como o movimento das placas tectônicas) e ao intemperismo (desgaste provocado por agentes químicos, físicos e biológicos), rochas anteriores ao Fanerozóico são raramente encontradas.
Tags: Paleontologia .
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Fonte: Próprio do Autor
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