O que são Fósseis

Postado por Jorge no dia 17/06/2011.

Os Fósseis (do latim fossilis = retirado do solo) são impressões encontradas nas diversas camadas de rochas da crosta terrestre.

Basicamente, quanto à preservação, os fósseis podem ser classificados em restos ou vestígios. Resto é a preservação do organismo, ou ao menos de parte dele, como ocorre com o tronco petrificado das árvores ou com os insetos e folhas conservados em âmbar, a resina cristalizada. Já ovestígio documenta apenas a passagem do espécime. São vestígios os coprófilos (excrementos mineralizados), as pegadas eos urólitos (extrusão líquida).

Os vestígios são chamados de icnofósseis (do grego ikhnos = vestígio) e seu estudo revela a anatomia e a relação da espécie com o ambiente. As pegadas, por exemplo, podem indicar a velocidade do animal, seu peso e o comportamento do grupo.

Os icnofósseis revelam, além disso, características do ambiente geológico existente na época. Araraquara, por exemplo, há 140 milhões de anos estava localizada no interior da extensa área continental ao sul do planeta. Parte de um deserto com 1.600.000 km2 (o maior da história da Terra), a região possuía clima muito árido. Os animais buscavam pequenas lagoas entre as dunas. No entanto, nem sempre havia condições ideais para preservação do fóssil (clima rigoroso, acidez do ambiente, ação erosiva da areia provocada pelo vento), restando somente indicações da passagem do espécime.O ramo da Paleontologia que estuda os icnofósseis é chamado de Paleoicnologia.

A maior parte dos seres encontrados na forma de fósseis vivia na água, nela estava ao morrer ou para ela foi arrastada. Depositados no fundo dos lagos e pântanos, os corpos tiveram suas partes moles apodrecidas ou devoradas. As partes resistentes (ossos, galhos, dentes, conchas), por outro lado, foram envoltas em areia ou lama, transformando-se em rocha. A água infiltrou-se, dissolveu esse material e deixou seu molde.

Já as estruturas delicadas (como asas, folhas e pele) são preservadas mais raramente, dependendo de condições extremamente favoráveis, como soterramento pela areia ou aprisionamento em âmbar, em poços de alcatrão ou no gelo.

Ainda que muitos fósseis tenham sido encontrados ao acaso, os paleontólogos, auxiliados por outros cientistas (como os geólogos), sabem onde procurá-los. Desertos, como o da Patagônia (Argentina) e o de Gobi (entre a China e a Mongólia), onde as rochas sofreram processo de erosão, são uma rica fonte de descoberta.

A manipulação dos fósseis compreende duas etapas:

1. o trabalho em campo

2. a análise em laboratório.

A partir do fóssil encontrado, os cientistas procuram descobrir como seriam as características. Com a ajuda de um artista plástico, recriam a espécie, em um trabalho chamadode Paleoarte.

Vários métodos são utilizados para se descobrir a idade de um fóssil.O mais simples segue a Lei da Superposição: cada camada geológica (estrato) deve ser mais antiga do que as acima dela. O valor é relativo, pois, devido aos movimentos na crosta, fósseis de muitos milhões de anos podem ser encontrados a poucos metros de profundidade. Na verdade, este método é útil quando, conhecida a idade de um fóssil, pode-se determinar a idade da camada e dos demais fósseis nela existentes.

Atualmente, com o auxílio de equipamentos precisos (como os microscópios eletrônicos), os métodos levam em conta o teor de elementos radioativos nas rochas. Se o grau de desintegração desses elementos (de urânio para chumbo de potássio para argônio de carbono para nitrogênio de rubídio para estrôncio) puder ser determinado, a idade da camada será calculada. O zircão, por exemplo, é um mineral formado pelo resfriamento do magma que data do Hadeano e tem aprisionados elementos radioativos como o urânio. O Carbono 14, outro elemento radioativo, é utilizado para estratos relativamente recentes.

Os fósseis não são apenas documentos biológicos, mas também históricos do desenvolvimento da vida na Terra. Permitem avaliar as alterações climáticas e geológicas do planeta, inclusive quanto à movimentação dos continentes. Conchas fossilizadas, por exemplo, comprovam que o Saara, ainda que hoje um deserto, já foi coberto pelo mar em épocas passadas.

Além disso, a análise dos fósseis documenta a interdependência das espécies extintas, com sua ascensão e declínio. Na análise dos ecossistemas, alguns fósseis registram de forma tão acentuada o período em que viveram que são chamados de fósseis-guias. Sua descoberta é suficiente para datar outras espécies no mesmo estrato.

Atualmente, as espécies fósseis são classificadas segundoo sistema cladista. Clados são grupos cujos membros compartilham um mesmo ancestral. Os cientistas analisam se determinadas características são basais- referentes à espécie ancestral- ou derivadas, e montam uma tabela de dados, a partir da qual é construído um cladograma (diagrama na forma de várias letras "Y"). Cada ramificação surge quando novas características são detectadas. No entanto, o sistema lineano (divisão em Reino, Filo,Classe, etc)não foi abandonado.

A classificação das espécies extintas muda freqüentemente. Conforme mais fósseis são descobertos, as espécies são reavaliadas. Algumas geram novos gêneros, ao passo que outras são absorvidas por gêneros já existentes.

Foto: urólito de dinossauro encontrado em Araraquara (interior de São Paulo). Exposição Dinos na Oca (São Paulo, 2006).

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Fonte: Próprio do Autor



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